terça-feira, 24 de junho de 2008
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Leituras (6)
"...o certo e o errado são apenas modos diferentes de entender a nossa relação com os outros, não a que temos com nós próprios, nessa não há que fiar, perdoem-me a prelecção moralística, é que vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos, não sou rainha, não, sou simplesmente a que nasceu para ver o horror, vocês sentem-no, eu sinto-o e vejo-o, e agora ponto final na dissertação..."
" Só Deus nos vê, disse a mulher do primeiro cego, que, apesar dos desenganos e das contrariedades, mantém firme a crença de que Deus não é cego, ao que a mulher do médico respondeu, Nem mesmo ele, o céu está tapado..."
" Só Deus nos vê, disse a mulher do primeiro cego, que, apesar dos desenganos e das contrariedades, mantém firme a crença de que Deus não é cego, ao que a mulher do médico respondeu, Nem mesmo ele, o céu está tapado..."
José Saramago in «Ensaio sobre a Cegueira»
terça-feira, 13 de maio de 2008
The National - Apartment Story
Há muito tempo que queria pôr os National no blog, aproveito a ressaca do concerto como desculpa. Que concerto! Aqui ficam duas, são todas tão boas que é difícil escolher.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Lykke Li "I'm good, i'm gone"
Da suécia para o mundo, não só com muita pinta mas com um belo disco. Este video tem um ar um pouco artesanal, bem como o som. Muito bom!
domingo, 20 de abril de 2008
Leituras (5)
«Dançavas, junto a mim, tecia-se já esse laço que me une agora à tua agonia; já, contra minha vontade, eu tinha entrado na tua vida para que um dia ficasse, ainda contra minha vontade, só às portas da tua morte.»
«- O preço da revolução nunca é caro de mais. – Paul olhou-me com desdém. – Vocês nunca chegarão a parte nenhuma, porque não querem pagar esse preço.
- É fácil pagar com o sangue dos outros.
- O sangue dos outros e o nosso é o mesmo sangue – disse Paul.»
in «O sangue dos outros» Simone de Beauvoir
«- O preço da revolução nunca é caro de mais. – Paul olhou-me com desdém. – Vocês nunca chegarão a parte nenhuma, porque não querem pagar esse preço.
- É fácil pagar com o sangue dos outros.
- O sangue dos outros e o nosso é o mesmo sangue – disse Paul.»
in «O sangue dos outros» Simone de Beauvoir
terça-feira, 15 de abril de 2008
Ryan Adams and The Cardinals -
Já não dava atenção ao Ryan Adams há algum tempo. Foi assim que decidi ouvir o disco do ano passado "Easy Tiger" e que me levou a outros discos dele. Este disco assinala um regresso após "uma fase difícil da vida" do rapaz (desintoxicação de álcool, segundo ouvi dizer) o que se observa logo no título (um sugestivo "vai com calma") e nas letras. Às vezes é necessário "ir à gaveta". Fica aqui esta música da qual gostei bastante.
sexta-feira, 14 de março de 2008
Na vida e na morte
Olho-o com saudade até ao infinito, saudade infinita, à espera sempre de te ver chegar a qualquer momento trazido numa qualquer corrente, eu acorrentada presa desde a tua partida. Andas perdido há que anos, eu por cá ando igual, tu que nunca te perdias e sabias sempre onde estavas e qual a direcção certa a tomar que todos os dias ainda ao longe me avistavas no cimo do monte e erguias já triunfoso o troféu do dia a acenares-me beijos que eu recebia de peito aberto e aliviado porque te via e sabia que estarias em casa dentro de pouco tempo, a visão de ti era a certeza de que o dia que tanto temia não houvera ainda chegado. Chegou. Eu à deriva em casa a falar aos móveis e eles num silêncio de ignorância com as batatas ao lume a prevenir um atraso que se alongava eternamente a morder o relógio e a engolir o tempo. Subo o monte donde sempre te avisto e somente cinzento tudo cinzento daquela cor que ameaça infinito cinzento socada pelas rajadas molhadas do vento um murro no estômago que não quero receber. Desço à praia atordoada pela irregularidade do caminho as pedras a pisarem-me toda o corpo a gelar por debaixo do xaile preto que me ofereceste no dia em que casámos ensopado ensopada o peso a aumentar o caminho turvo e incerto que continua na areia tudo cinzento a praia deserta sob um cinzento que ameaça o mundo deserto. Olho-o até ao infinito ajoelho-me perante o trovão que rebenta a meus pés pergunto-lhe por ti e responde-me numa voz de raiva, eu com tanta raiva com tanto ódio, a engolir-me o coração a esmagar-me a afogar-me os olhos. Chegou. O mundo deserto até hoje sem uma luz de ti eu perdida sem saber a que horas vens para almoçar. Subo o monte, em dias solarengos quase a impressão de te ver ao longe a acenares-me beijos as gaivotas em voo picado em direcção ao espelho azul casais de velhos trazem a merenda e olham o horizonte, esperarão eles alguém perdido há muitas rugas atrás? são simpáticos oferecem-me vinho e pasteis de bacalhau, embrulho um num guardanapo e guardo-o para ti no bolso do meu avental quando o céu se incendeia partem fico sozinha com os olhos a naufragarem-me o mundo deserto levanta-se um friozinho que me arrepia por dentro recolho-me e lembro-me das batatas ao lume deixo-as dentro da panela para não arrefecerem come quando chegares deves vir com fome se por acaso me encontrares a dormir acorda-me que eu faço-te companhia.
contextualizacao #08 ver www.luiselmau.blogspot.com
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